De que nos serve, na quarta à noite,
naquele bar de artistas,
confundirmos a personagem
e tomarmos para nós
o papel principal!
Nem a solidão nos abandona sem deixar recado,
nem as palavras que são ditas
com coragem ou com despudor,
nos alheiam da nossa memória.
Os olhares vagueiam,
os rostos transfiguram-se,
distraídos do cansaço
ou submersos num copo de agonia!
Esquecem-se as vontades e as dores,
enquanto a noite
se prolonga e desajusta da hora marcada.
O silêncio absorve-nos, arrebata-nos
e alheia-nos da verdade.
Só a solidão se senta a nosso lado e nos provoca.
Sorri, maldosa e incomplacente,
e vai-nos enchendo
o copo vazio com outra dor.
Mas a alma permanece intacta.
Resiste estoicamente,
trazendo dentro de si mais uma poesia sem nome,
dolorosa ou sem pudor,
que vai enchendo de ouro
um qualquer papel amarrotado
onde se escreve
um qualquer poema sem nome!
apl in "Um Beijo... Sem Nome" ©
sexta-feira, 15 de maio de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
"VELUDO AZUL" DE JORGE D'ALÉM MAR
Ontem foi dia de “Púcaros com Poesia”.
Como todas as quartas à noite, a casa enche-se de rostos, que roubam horas ao sono, para poderem partilhar uma paixão comum. Rostos, já familiares e cúmplices, em que aquilo que transmitem não precisa ser feito de palavras. Palavras, essas sim, aquelas que se vão desenrolando ao longo da noite e vão preenchendo o silêncio, apenas a das inúmeras Poesias a quem alguma voz empresta a alma.
Ontem foi dia de “Púcaros com Poesia”.
Mas ontem a Poesia foi diferente.
Ontem, a voz e a alma pertenciam a Jorge d’Além-Mar.
Irreverente, audaz, controverso. Apaixonado pelo Amor, deixou as linhas deste seu último livro, desaguarem num erotismo selvagem e despudorado.
O seu estilo é único. “Jorgiano”, como em tom de brincadeira costumo dizer, seduz-nos pela forma intempestiva com que redobra as palavras, fazendo delas um jogo constante.
A Poesia do Jorge, ou se ama, ou se detesta.
Indubitavelmente, eu faço parte daqueles que a sentem na alma, sorvendo cada palavra como se parte dela fizesse.
Não é este livro que afirma o Jorge como Poeta.
O Jorge já nasceu poeta.
Poeta em toda a essência da palavra, como se as letras dele nascessem, sem necessidade de parto.
Ontem foi dia de “Púcaros com Poesia”.
Mas ontem a Poesia foi diferente.
“Embrulhados” em azul, ontem estenderam-se os sonhos, nas páginas que deram corpo a “Veludo Azul”.
“Veludo Azul”.
Ao última obra de Jorge d’Além-Mar, que transformou mais uma quarta à noite, numa noite diferente de todas as quartas à noite, onde se vai deixando num qualquer papel amarrotado, uma qualquer Poesia sem nome.
Para ti, Jorge, o meu obrigada, por me dares a honra de ter partilhado contigo, este momento tão único e tão especial.
Hannah
Como todas as quartas à noite, a casa enche-se de rostos, que roubam horas ao sono, para poderem partilhar uma paixão comum. Rostos, já familiares e cúmplices, em que aquilo que transmitem não precisa ser feito de palavras. Palavras, essas sim, aquelas que se vão desenrolando ao longo da noite e vão preenchendo o silêncio, apenas a das inúmeras Poesias a quem alguma voz empresta a alma.
Ontem foi dia de “Púcaros com Poesia”.
Mas ontem a Poesia foi diferente.
Ontem, a voz e a alma pertenciam a Jorge d’Além-Mar.
Irreverente, audaz, controverso. Apaixonado pelo Amor, deixou as linhas deste seu último livro, desaguarem num erotismo selvagem e despudorado.
O seu estilo é único. “Jorgiano”, como em tom de brincadeira costumo dizer, seduz-nos pela forma intempestiva com que redobra as palavras, fazendo delas um jogo constante.
A Poesia do Jorge, ou se ama, ou se detesta.
Indubitavelmente, eu faço parte daqueles que a sentem na alma, sorvendo cada palavra como se parte dela fizesse.
Não é este livro que afirma o Jorge como Poeta.
O Jorge já nasceu poeta.
Poeta em toda a essência da palavra, como se as letras dele nascessem, sem necessidade de parto.
Ontem foi dia de “Púcaros com Poesia”.
Mas ontem a Poesia foi diferente.
“Embrulhados” em azul, ontem estenderam-se os sonhos, nas páginas que deram corpo a “Veludo Azul”.
“Veludo Azul”.
Ao última obra de Jorge d’Além-Mar, que transformou mais uma quarta à noite, numa noite diferente de todas as quartas à noite, onde se vai deixando num qualquer papel amarrotado, uma qualquer Poesia sem nome.
Para ti, Jorge, o meu obrigada, por me dares a honra de ter partilhado contigo, este momento tão único e tão especial.
Hannah
quarta-feira, 13 de maio de 2009
SOTURNO
I
Ò rio
de pedras calejado
de penumbras açoitado
guardas a morte
em calabouços tenazes
onde os escombros fumegam
onde os túmulos de desapegam
onde tudo é má sorte.
II
E eis
onde o céu se abate
onde o ódio desperta
onde o rancor ilumina.
Porquê tão triste sina?
III
Que mais farei
se me ocultas
se me renegas
se me descarnas em dor!
Se transformas a luz em treva
se apodreces a alma
se só me dás desamor !
IV
Quantas noites
esperei que o aurorescer
iluminasse meus passos.
Sentimentos graníticos!
Só trazes lama
duma lava em chama
que só acende meus gritos.
V
Aguda labareda que queimaste
o fulgor de meus pulmões.
Num degredo árido
onde só o ódio desperta,
tornaste
a vida em lava de vulcões.
VI
Sucumbo à dor
em tua cripta
num arrepio tenaz
que dilacera a alma.
Gélida agonia
gélido tumulto
que me condenas ao teu sepulcro.
VII
Degredo que me levaste
e apodreceste em escuridão.
Lapidaste,
esculpiste em pedra escura.
Nem sálicos horrores
trariam tanta amargura.
VIII
E a noite
gélida e ácida de penumbras
ri e escarnece
enquanto a alma apodrece.
Nem a morte é tão fria
nem as lápides da agonia
pesam tanto no chão.
Incestuosa solidão!
IX
Ò rio
de pedras calejado
de penumbras açoitado
guardas a morte.
Em calabouços de pranto
em túmulos de desencanto
em destinos de má sorte.
apl in “Vozes do Vento” ©
domingo, 10 de maio de 2009
TALVEZ
Talvez um dia te saiba
em que lugar te vou guardar
em que sol eu vou amar
em que mundo te terei.
Não tenho pressa
mesmo que a ânsia seja essa
nas palavras que não direi.
Talvez um dia me desnude
talvez um dia te sinta
talvez um dia te minta
nas palavras que eu não sei.
Talvez um dia venha a saber
quais as palavras que desejo
quais os montes que anseio
quais os mares que me despirão.
Não temo a sorte
não temo a morte.
Talvez me vá sem norte
talvez me fique em solidão!
apl in “47 Poemas de Amor” ©
VINHO SEM MOSTO
Saturam-me as mentes minguadas
Vis, insanas, retardadas
Exíguas na expressão.
As que não agem
As que não obram
As que vivem de podridão.
As que se pensam soberbas
E se reconhecem donas da razão.
Falsas, mesquinhas, medíocres
Providas de medida demarcada
De arrogância adulterada
Tal como vinho sem mosto
Em rótulo de realeza.
Duma coisa tenho a certeza
Mesmo que matem minha verdade
Jamais matarão minha grandeza!
apl in “Mentes Perversas” ©
sábado, 9 de maio de 2009
SÓ TU !
Amordaçam-se as memórias
das palavras.
Linhas supérfluas
gastas de imaginação
de um transformismo acromático.
Ter ou não ter
é vazio de expressão
num verso metamórfico
ou numa metafísica encapsulada.
Não há céu nem limite.
Não há fantasmas alegóricos
nem utopias fantasiadas.
Só tu
vagabundo na memória
fugitivo num silêncio revolucionário.
A viagem
pintaste-a na solidão
que a irreverência deixou por preencher.
E rasgas a vontade agonizada
num desejo negado
sem convicção.
Ontem fui à baixa.
As ruas desertas
estavam cheias
da tua ânsia desmesurada.
Mas não é na baixa que me vais encontrar!
das palavras.
Linhas supérfluas
gastas de imaginação
de um transformismo acromático.
Ter ou não ter
é vazio de expressão
num verso metamórfico
ou numa metafísica encapsulada.
Não há céu nem limite.
Não há fantasmas alegóricos
nem utopias fantasiadas.
Só tu
vagabundo na memória
fugitivo num silêncio revolucionário.
A viagem
pintaste-a na solidão
que a irreverência deixou por preencher.
E rasgas a vontade agonizada
num desejo negado
sem convicção.
Ontem fui à baixa.
As ruas desertas
estavam cheias
da tua ânsia desmesurada.
Mas não é na baixa que me vais encontrar!
ana paula lavado in “Mentes Perversas” ©
terça-feira, 5 de maio de 2009
DESLEMBRA-ME!
Já não se apregoam virtudes
e a esperança está morta.
Escrever é talvez uma ironia
Mas que importa?
Deslembra-me,
deslembra-me que existo!
Porque já não escrevo
nem me deixo escrever
por letras insanas e loucas.
As palavras não existem
e as que restam são poucas.
Mas que importa?
Já não se apregoam virtudes
e a esperança está morta.
apl in “Mentes Perversas” ©
e a esperança está morta.
Escrever é talvez uma ironia
Mas que importa?
Deslembra-me,
deslembra-me que existo!
Porque já não escrevo
nem me deixo escrever
por letras insanas e loucas.
As palavras não existem
e as que restam são poucas.
Mas que importa?
Já não se apregoam virtudes
e a esperança está morta.
apl in “Mentes Perversas” ©
segunda-feira, 4 de maio de 2009
O MEU POEMA SEM NOME
naquele bar de artistas,
confundirmos a personagem
e tomarmos para nós
o papel principal!
Nem a solidão nos abandona sem deixar recado,
nem as palavras que são ditas
com coragem ou com despudor,
nos alheiam da nossa memória.
Os olhares vagueiam,
os rostos transfiguram-se,
distraídos do cansaço
ou submersos num copo de agonia!
Esquecem-se as vontades e as dores,
enquanto a noite
se prolonga e desajusta da hora marcada.
O silêncio absorve-nos, arrebata-nos
e alheia-nos da verdade.
Só a solidão se senta a nosso lado e nos provoca.
Sorri, maldosa e incomplacente,
e vai-nos enchendo
o copo vazio com outra dor.
Mas a alma permanece intacta.
Resiste estoicamente,
trazendo dentro de si mais uma poesia sem nome,
dolorosa ou sem pudor,
que vai enchendo de ouro
um qualquer papel amarrotado
onde se escreve
um qualquer poema sem nome!
apl in "Um Beijo... Sem Nome" ©
domingo, 3 de maio de 2009
CASTELOS DE AREIA
Quem nunca construiu o seu?
Castelos de areia. Sonhos onde qualquer criança navega no mundo do imaginário e do fantástico. As histórias de encantar são transpostas na imaginação fértil daquelas cabecinhas, que fantasiam Reinos de Princesas e Aladinos, Gnomos e Histórias de Além-mar.
E os castelos emergem, em flancos de areia roubada ao mar, enquanto a maré vaza os contempla e vê crescer. Os rostos brilham a cada grão colocado no topo, e o sonho torna-se cada vez mais alto e delirante. As imagens reflectem-se, e o mar transforma-se numa tela infinda, adornada pelas cores que o sol divulga.
E num impulso, tudo se acaba.
A maré agiganta-se, vindo buscar todos os grãos de areia que havia deixado para trás. Um a um, vai roubando o contorno de cada castelo erigido. O sonho desvanece-se em cada lágrima escorrida no rosto daqueles arquitectos em miniatura, que arduamente tentaram edificar um pedaço de fantasia.
Será que algum dia desistimos de construir os nossos castelos de areia?
Talvez sim, aqueles para quem a vida não tem mais objectivos, aqueles que se sentem felizes dentro da sua limitação, e aos quais a força, o incentivo e a vontade, são palavras excluídas do dicionário. Mas esses são também os que já escreveram o seu próprio epitáfio e apenas esperam comodamente a hora do juízo final.
Os outros, a quem a imaginação ajuda, e a vontade se renasce, e a quem a maré preia não aniquila o sonho, reconstroem seus castelos na próxima maré vaza… mesmo que seja apenas até a maré preia voltar!
apl in "Crónicas Dispersas"
quinta-feira, 30 de abril de 2009
A DOR
A dor é um cárcere permanente
uma clausura embriagada e demente
um destino trasladado em reclusão.
É um cântico adoçado com veneno
um ritual sorumbático e obsceno
uma esperança morta na incubação!
É uma luta de raiva e de tormento
um fustigar de medo e de lamento
uma dor que se acrescenta a outra dor.
É a alma delida num fogo prolongado
é a denúncia de um viver inanimado
é a morte anunciada ao pormenor!
apl in "Um Beijo... Sem Nome" ©
uma clausura embriagada e demente
um destino trasladado em reclusão.
É um cântico adoçado com veneno
um ritual sorumbático e obsceno
uma esperança morta na incubação!
É uma luta de raiva e de tormento
um fustigar de medo e de lamento
uma dor que se acrescenta a outra dor.
É a alma delida num fogo prolongado
é a denúncia de um viver inanimado
é a morte anunciada ao pormenor!
apl in "Um Beijo... Sem Nome" ©
segunda-feira, 27 de abril de 2009
DESCONCERTO
Nada me desconcerta mais
que a falta de carácter.
Desdenhosos personagens
que me invadem o sossego
e desatinam qualquer complacência.
Ainda não descobri se é normal esta atitude
ou serei eu,
que depois de tanta ausência
desconheço as leis fundamentais.
Mas não deixo de ficar perturbada
e nem com toda a lógica em aumento
entenderei estas atitudes
que de serem tão anormais
não têm qualquer fundamento.
Não concebo o uso de qualquer alguém
só porque no momento é proveitoso.
E por mais que atropele
o meu humilde convencimento
certeza tenho que não há ninguém
que possa ser nobre com tal procedimento.
Mas de um lado ou outro sempre encontro
aqui ou além um certo desconcerto.
Ou será o mundo que anda todo desconcertado
ou serei eu que não lhe vejo qualquer acerto!
apl in "Um Beijo... Sem Nome" ©
que a falta de carácter.
Desdenhosos personagens
que me invadem o sossego
e desatinam qualquer complacência.
Ainda não descobri se é normal esta atitude
ou serei eu,
que depois de tanta ausência
desconheço as leis fundamentais.
Mas não deixo de ficar perturbada
e nem com toda a lógica em aumento
entenderei estas atitudes
que de serem tão anormais
não têm qualquer fundamento.
Não concebo o uso de qualquer alguém
só porque no momento é proveitoso.
E por mais que atropele
o meu humilde convencimento
certeza tenho que não há ninguém
que possa ser nobre com tal procedimento.
Mas de um lado ou outro sempre encontro
aqui ou além um certo desconcerto.
Ou será o mundo que anda todo desconcertado
ou serei eu que não lhe vejo qualquer acerto!
apl in "Um Beijo... Sem Nome" ©
domingo, 26 de abril de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
SÓ
sexta-feira, 24 de abril de 2009
MANIFESTO ANTI-HIPOCRISIA

Ah! Que se diga e volte a dizer
e que fique registado tudo aquilo que vai ser dito!
Morra, morra a hipocrisia!
Os falsos moralistas, os falsos pudores e
a falsa moralidade.
E morra, morra a hipocrisia!
E as mentes recuadas que ruborescem quando se fala de sexo.
E morra, morra a hipocrisia, porque essa não tem nexo!
Usarei o substantivo certo e o verbo apropriado,
mesmo que o achem ofensivo,
o tomem por controverso,
ou digam mesmo que é pecado!
Nem com um abaixo-assinado com as quinze mil assinaturas
que manda a legislação,
abdicarei do meu palavreado
e de usar os nomes certos, na matéria que está em questão.
E se me chamarem de louca, ficarei grata.
Pois que eu use essa loucura em meu próprio benefício!
E o que tiver que dizer, que o diga,
mesmo que não achem graça,
e que o diga com as letras todas e sem qualquer artifício!
E morra, morra a hipocrisia,
porque nem o tabaco é tão mau vício!
E morra, morra … morra!... Pim!
E mais não digo, nem a Dantas digo assim,
porque Almada dava cabo de mim!
e que fique registado tudo aquilo que vai ser dito!
Morra, morra a hipocrisia!
Os falsos moralistas, os falsos pudores e
a falsa moralidade.
E morra, morra a hipocrisia!
E as mentes recuadas que ruborescem quando se fala de sexo.
E morra, morra a hipocrisia, porque essa não tem nexo!
Usarei o substantivo certo e o verbo apropriado,
mesmo que o achem ofensivo,
o tomem por controverso,
ou digam mesmo que é pecado!
Nem com um abaixo-assinado com as quinze mil assinaturas
que manda a legislação,
abdicarei do meu palavreado
e de usar os nomes certos, na matéria que está em questão.
E se me chamarem de louca, ficarei grata.
Pois que eu use essa loucura em meu próprio benefício!
E o que tiver que dizer, que o diga,
mesmo que não achem graça,
e que o diga com as letras todas e sem qualquer artifício!
E morra, morra a hipocrisia,
porque nem o tabaco é tão mau vício!
E morra, morra … morra!... Pim!
E mais não digo, nem a Dantas digo assim,
porque Almada dava cabo de mim!
apl in "Um Beijo... Sem Nome" ©
quinta-feira, 23 de abril de 2009
VESTI-ME DE TI ( Um Beijo ao Poema )
Como eu gostava de me morrer
na linha infinda de um poema.
De alma nua entrego
no deslizar dos dedos
a fragrância do meu perfume
colhido ao acaso.
E num indisfarçável desejo
concebo-te sem hora marcada.
Fui tua nesta jornada
de impensável sedução.
Nesta escandalosa ânsia
de sentir minha nudez
e vesti-la de ti.
E neste prazer insaciável
de me morrer por te ter,
morro-me
na linha infinda de um poema!
apl in "Um Beijo... Sem Nome" ©
quarta-feira, 22 de abril de 2009
ESSE TEU JEITO

Se as palavras pudessem dizer
Na breve linha de um poema
Numa metáfora ou num esquema
Ou noutra conjugação qualquer,
O que emerge dentro do peito
Quando tu amas nesse teu jeito
Este corpo que me foi dado Mulher.
Se as usasse, qual incasta musa
Numa sedução de completo despudor,
Despiria Camões de todo seu jeito
Tornaria Bocage rubro de pudor.
Não me atrevo a tal, seria louca
Mesmo no meu jeito louco de amar.
Mas quando me tomas em teu leito
Nesse jeito com que despes meu pudor
Não há pejo nas palavras, nem sequer
Há palavras que brotem de meu peito
Quando tu amas nesse teu jeito
Este corpo que me foi dado Mulher!
apl in "47 Poemas de Amor" ©
terça-feira, 21 de abril de 2009
PALAVRAS

Gostava de poder falar das palavras, com a mesma facilidade com que as invento, recrio ou emudeço, nas linhas que não me atrevo a escrever.
Ter a coragem de as manipular, será talvez a aspiração máxima de quem as utiliza. Ser manipulado por elas, é deixar que elas penetrem no nosso Eu mais profundo, e nos utilizem como suporte da sua vontade.
Saberei eu manipulá-las, ou serei eu a manipulada, quando me deixo absorver pelo jogo de indescritível fantasia de que elas são capazes?
Talvez nunca o venha a descobrir. Talvez nos manipulemos mutuamente, sem que haja necessidade de encontrar o dominante e o dominador. Ou talvez, as palavras que extravasem o concreto, não passem de uma invenção feita apenas para que a imaginação possa continuar a sua fantasia.
O certo é que não vivemos sem palavras. Nós, considerados possuidores de inteligência, cálculo e raciocínio, estamos de tal forma limitados nas nossas expressões, que a mensagem seria, na maioria das vezes, de incompleta percepção.
Usamos e abusamos das palavras a nosso belo prazer, tanto em declarações idílicas de completa paixão, como fazendo delas armas de arremesso de uma mortalidade feroz. São usadas como verdade ou como mentira com o mesmo despudor ou a mesma desfaçatez.
Não saberia viver sem palavras. Mesmo no meu mundo silencioso, trabalho-as à medida do sonho. Deixo-me vaguear no seu mundo, e transformo-as em objectos de prazer, como se o prazer das coisas delas dependesse. Mesmo quando as iludo em metáforas, entrelinhadas de um sentido que, muitas vezes, nem eu própria entendo!
apl in "Crónicas sem nexo"
quinta-feira, 16 de abril de 2009
A VERDADE
Dito assim até tem graça
Porque as coisas inconcebíveis
Têm sempre a particularidade
De serem tomadas como não verdade.
E se não me tocasse a peito
Rir um pouco daria jeito
E desanuviava esta ansiedade.
Mas mesmo misturando o pensamento
Os livros e os mestres da sabedoria
Fico sempre nesta agonia
De duvidar do meu discernimento.
Será que é pouco
Será que anda lento,
Ou será falta de capacidade
De pensar que não é verdade
O que na verdade não tem cabimento?
Não quero ter a veleidade
De questionar qualquer questão.
Mas por muito que muitos cuidem
Que a verdade tem sempre fundamento,
Antes duvidar de meu discernimento
Que aceitar a verdade sem razão.
apl in "Mentes Perversas" ©
Porque as coisas inconcebíveis
Têm sempre a particularidade
De serem tomadas como não verdade.
E se não me tocasse a peito
Rir um pouco daria jeito
E desanuviava esta ansiedade.
Mas mesmo misturando o pensamento
Os livros e os mestres da sabedoria
Fico sempre nesta agonia
De duvidar do meu discernimento.
Será que é pouco
Será que anda lento,
Ou será falta de capacidade
De pensar que não é verdade
O que na verdade não tem cabimento?
Não quero ter a veleidade
De questionar qualquer questão.
Mas por muito que muitos cuidem
Que a verdade tem sempre fundamento,
Antes duvidar de meu discernimento
Que aceitar a verdade sem razão.
apl in "Mentes Perversas" ©
segunda-feira, 13 de abril de 2009
QUANDO O SOL ACORDAR
Quando os búzios acordarem
Nessa praia junto ao mar
Talvez o sol não se levante
Com medo de os despertar.
Porque entre cada grão de areia
Que a maré vaza não molhou
Ficaram escondidos segredos
Que a maré preia acautelou.
E se o sol fulgisse cedo
Mais cedo que o próprio alvor
Até os búzios saberiam
Que nos amamos sem pudor.
apl in "47 Poemas de Amor" ©
sábado, 4 de abril de 2009
A MINHA CARTA DE AMOR

Nesse chão selvagem
Nesse chão que me nasceu selvagem
Onde a erva cheira a capim
Onde o verde tem outra margem
Onde te senti dentro de mim…
Nesse útero de terra ardente
Onde o sol se transfigura
Onde o mar acorda quente
Onde me senti que fui tua…
Nesse calor que me queimaste
Nessa pele que me ocupou
Nesse beijo com que desnudaste
O beijo que me desnudou…
Nesse leito onde ansiaste
Por cada pedaço de mim
Amei-te, tanto quanto amaste
Que nos amassemos assim!
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