quarta-feira, 30 de maio de 2012

PENUMBRA





Perpetuo os olhos na imagem
que se transfigura cálida, incandescente
nas mãos que o meu corpo adivinha.


Sinto-o ao longo desta margem
como um rio que corre transparente
no ventre inclinado de uma colina.


E no último raio do poente
na penumbra que à noite se aumenta
descanso em fervilhar dormente
a intenção que a vontade sustenta.


ana paula lavado ©

terça-feira, 29 de maio de 2012

O TEU VERSO



Límpido e claro o teu verso
imerso no meu corpo desvalido
perpetua o silêncio.

Abraça-me apenas
e contorna os meus seios
como água de oceano.

E cada palavra do meu corpo
humedecerá a tua boca
enraizada no meu ventre.

ana paula lavado ©

sexta-feira, 25 de maio de 2012

DIA DE ÁFRICA - 25 DE MAIO



África Minha


Cheirei as picadas de poeira e sol quente
O odor do capim verde de Março
As cubatas barrentas da sua gente
Os sorrisos na face de qualquer abraço.


E amei sem pudor cada pedaço de chão
Matando o tempo que o tempo roubou.
Nada mais importa, nem mesmo a razão
Quando a alma pertence ao chão que a gerou.


Tive-te em meu corpo, África Minha
Trespassada na pele pelo sol ardente
Naquela paixão que só o amor adivinha
Naquele orgasmo que só o desejo consente.


ana paula lavado ©

quinta-feira, 24 de maio de 2012

APENAS TU


Sereia
Talvez!
Ancorada 
nas águas profundas
do oceano
entre cristais 
e solidão.

E tu,
apenas tu
tangendo em tuas mãos
meu corpo diáfano,
abrirás as amarras
que me doem no fundo do mar.

ana paula lavado

segunda-feira, 21 de maio de 2012

VENDAI-ME OS OLHOS




Deitei a terra ao chão 

nas raízes que o orvalho prolongou. 



E na sombra escura 

crescem álamos selvagens 

sedentos de justeza, 



mas a chuva sonâmbula 

seca prematuramente 

a hora tardia. 



Vendai-me os olhos 

que não verei a morte. 



ana paula lavado ©





quarta-feira, 9 de maio de 2012

MENTES PERVERSAS... E OUTRAS CONVERSAS NO PORTO



CONVITE


ANA PAULA LAVADO, HENRIQUE DO VALE E EDIUM EDITORES, TÊM A HONRA DE CONVIDAR V.EXA. PARA O LANÇAMENTO DO LIVRO MENTES PERVERSAS... E OUTRAS CONVERSAS, A REALIZAR NO DIA 12 DE MAIO DE 2012 ÀS 18 HORAS, NO PALACETE VISCONDES DE BALSEMÃO (PRAÇA CARLOS ALBERTO) NO PORTO.
A APRESENTAÇÃO DA OBRA E AUTORA ESTARÃO A CARGO DE FILOMENA MALVA.
MOMENTO MUSICAL PELA PIANISTA LUÍSA BARREIRA. 






segunda-feira, 16 de abril de 2012

DÁ-ME O TEU CORPO PARA NAVEGAR



Dá-me o teu corpo para navegar
nas sombras cálidas dum mar calmo
exaurindo a névoa da madrugada.

Só me resta incendiar-me
suplicando ao sol que sustenha o seu domínio
e não afogue as tardes em invernia.

Eis-me, crucificada e exausta
sobre este chão que me consome
extinguido em horas longínquas.

Pousa-me as letras que não compreendo
entre as mãos gastas de loucura
e legenda a minha combustão.

E transcreve-me o silêncio do espaço
nas sombras cálidas de um mar calmo
consumindo-me o corpo desejado.

ana paula lavado ©

segunda-feira, 9 de abril de 2012

ASSIM ME MORRO





Apenas os momentos, meu amor,
em que amanhecem os teus olhos
encostados aos meus olhos
e as margens nuas do meu corpo
despertam nas tuas mãos,

o teu nome respira no meu corpo
e a quietude da madrugada
soletra-me a cor dos navios
que regressam do mar.

Assim me morro
na vertigem embriagada da tua boca
procurando navegar serenamente!

ana paula lavado ©

quinta-feira, 5 de abril de 2012

VEM DEVAGAR



Vem devagar sobre meu leito
Entrega tuas mãos ao meu corpo
E desfolha-me lentamente
Numa doçura desdobrada.


Desliza entre o meu ventre
E navega entre pétalas cerradas
Onde o silêncio em vertigem 
Me faz em água dilacerada.


E no desejo anoitecido
Adurirei o beijo da tua boca
Na minha boca queimada!


ana paula lavado © 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

ÀS VEZES


Às vezes, passa-se e nada se diz
Às vezes, diz-se tudo sem se passar
Todas as vezes, silencio a tua saudade!

ana paula lavado  ©

sexta-feira, 23 de março de 2012

TERNURA






És tu, o rio que me trespassa
O mar que me volta em brandura
A vontade, o grito, o desejo
A razão desta intrépida loucura.

A vida multiplicada em minúcias
Os gestos reflectidos em candura
És tu, meu amor, que me tornas
No vício desta imensa ternura!

ana paula lavado ©


domingo, 18 de março de 2012

UM DIA VOU-TE DIZER

Um dia vou-te dizer
quantas palavras escrevi
quantos versos apaguei
quantas linhas estendi
quantas vezes te guardei.

Um dia vaguearei à sorte
sem direcção e sem Norte
sem vereda ou caminho.

Um dia vou-te dizer,
quando a sorte mo não impuser,
e se a vontade mo aprouver,
porque caminhei sem ti!

ana paula lavado ©

segunda-feira, 12 de março de 2012

TU

...
Desnudaria minha alma em pecados
despiria meu corpo de preconceito.

Trocaria minha vontade por desejos
meus silêncios pelos teus beijos
meu pudor pelo teu leito!

ana paula lavado in "Vozes do Vento"

sexta-feira, 9 de março de 2012

NINFA DOS MARES




Ninfa dos mares e das marés
Deusa dos arcanos da Lua

Mareou em terra
E em carne foi amada

Despiu-se das águas
E por amor fez-se sua!

ana paula lavado in "Um Beijo... Sem Nome"

quinta-feira, 8 de março de 2012

MULHER

Sou Mulher por fora e por dentro
No amor, na raiva e no tormento
Na esperança e na fúria desejada
Sou Mulher, sim! E mais nada.

E neste corpo inteiro que me ocupa
Nesta dádiva que faz de mim quem eu sou
Desfaço as montanhas imperecíveis
Desbravo o caminho por onde vou.

Não calqueis os passos onde piso
Não guilhotineis o meu discernimento
Brava é a mão que ergo com firmeza
Intrépida a força do meu pensamento.

E se alguém duvidar desta constância
Que habita num corpo qualquer
Não subestime quão soberana
Pode ser uma frágil Mulher!

ana paula lavado  ©