sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
JÁ PASSAVA DA NOITE
Já passava da noite
Já passava da noite
quando junto ao
cais da despedida
o silêncio
intransmissível das sombras
esperava apenas o
regresso.
Já passava da noite
quando junto às
areias do oceano
apenas havia o
pavio dos barcos
que caminhavam para
a faina.
Já passava da noite
quando as sereias
despertaram
e me trouxeram o sossego
do sabor quente do
teu corpo.
ana paula lavado
©
(foto da internet)
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
SONHO
Sonho
A parte inefável do
ser
A que traduz o
indizível
Soletra-me na ponta
dos dedos
O silêncio da aragem
miúda.
Tu não sabias,
ninguém sabia,
Que neste sorriso
languescente
Escondo o verbo esquecer.
Num caminho
sinuoso, entorpecente,
Ninguém sabia, nem
tu sabias,
Que nos instantes
que tenho
Sonho-te, sem te
perder.
ana paula lavado
©
(foto da internet)
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
CATIVEIRO
Cativeiro
Fui cativeira do
desnorte
talvez por penúria
da sorte
talvez por tresloucada
sina.
Ao longo do tempo
filosofei
numa escusada busca
de verdade
e nem por força da
vontade
vi loucura simples
e cristalina.
Mísera sorte que
contamina
estranha condição tão
entranhada
de combater tão
desigualada
nas partes desiguais
da igualdade.
Haja liberdade para
lá do ensejo
onde este
infortúnio cativeiro
será proscrito pela
verdade.
ana paula lavado
©
(foto da internet)
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
ANTES QUE SEJA MADRUGADA
Antes que seja madrugada
Antes que seja madrugada
Encosta os meus sonhos ao peito
Namora o meu rosto no leito
E despe o meu sono de alvorada.
Antes que seja o alvor
Soletra o meu corpo por anáforas
Desnuda a minha pele por metáforas
E ama-me como ama o Amor.
ana paula lavado ©
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
ÉS TU
És tu
És tu. Sim, és tu
Que no límpido
universo me renasce
Como a aurora se
recupera em boreais
Ensaiando os
abrigos da natureza.
Tu, palavra que me
veste por dentro
Onde os areais se
transladam
No sal da minha
pele languescente
Tu.
Serei a metáfora da
mais singela das sereias
Que o mar esconde
nos alhais de espuma
Poema contido na
transparência das sílabas
Seduzindo a luz que
invade as pupilas
Tu.
ana paula lavado ©
(foto da internet)
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
RUAS
Ruas
Por trás das ruas
Silenciosas de
rumores
Mil poemas se
empalidecem
Na obscuridade das
sombras.
Perderam-se as palavras
Nas portas sem
número
Alinhadas
escrupulosamente
Por ordem nominal.
Ninguém por certo
adivinha
Que numa travessa
sem nome
Havia um caminho
para o mar.
E no silêncio
agreste que não vinha
Fui eu com as
palavras nas mãos
Escrever um poema
para te dar!
ana paula lavado ©
(foto da internet)
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
CHEGOU O MOMENTO DE CHAMAR PELO TEU NOME
Chegou o momento de chamar pelo teu nome
Chegou o momento de
chamar pelo teu nome
porque todas as
coisas eruditas que existem lá fora
deixam de fazer
sentido sem o teu nome.
Gracejo, quando me
lembro das nossas graças
dos risos
depauperados de sentido
quando o riso
apenas espelha o contentamento.
Chegou o momento de
chamar pelo teu nome
independentemente
dos olhares sigilosos
que trocamos por
malícia.
Tantos que não
sabem o quanto fascino
nem imaginam o enigma
que faço com as letras
quando me atrevo a
escrever o teu nome.
Chegou o momento de
escrever o teu nome
com todas as letras
que aprendi alfabeticamente
e que ordeno de
forma eficaz.
E por fim verterei a
tinta do tinteiro
soletrando no papel
todas as letras do teu nome.
ana paula lavado ©
(foto tirada da internet)
sábado, 24 de novembro de 2012
AMANHECER
Amanhecer
espero sempre o
outro dia
- que este já está
vivido –
em que outra flor descerre
e possa abrir o sol
pela manhã
há sempre esperança
na madrugada
quando amanheço no
teu leito.
ana paula lavado ©
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
CHAMAR-TE-EI MAR
Chamar-te-ei Mar
Pensei chamar-te Flor
Mas morrerias
quando as pétalas caíssem.
Chamar-te-ei Mar
Porque assim serás infindo!
ana paula lavado ©
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
AS MÃOS
As mãos
As mãos. A sua
cálida
e serena pele
tão alva
como um areal
deserto
derramado
no meu peito,
as mãos,
como chama acesa
de desejo
das coisas simples.
Amadas, sim, as
mãos
leais e dóceis
como branca é a
melancolia.
As mãos. Cativas
na sua cálida
e serena pele
tão alva
como a alma aspira.
ana paula lavado ©
(foto da internet)
terça-feira, 20 de novembro de 2012
SE CHOREI, NÃO SEI
Se chorei, não sei
São menos
afortunados os filhos de ninguém
vendendo a alma nas
esquinas do ócio
esperando o
reconforto do esquecimento.
Olhei-o, como quem
olha um cadáver vivo
bebendo a dor com
as lágrimas que não chorei.
E se chorei, não
sei.
Olhamo-nos como se
olham os indiferentes
que não reconhecem
a quietude
nem as faces dos
olhos.
Não há piedade na
voz nem nos gestos
aprisionados de
vazio e de deserto.
Deixei-o para trás com
as lágrimas que não chorei.
E se chorei, não
sei.
ana paula lavado ©
(foto retirada da internet)
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
TEM TANTA PRESSA O AMOR
Tem tanta pressa o amor
Tem tanta pressa o
amor
Que as mãos se
acidam por inteiro
Sem espera do amor
primeiro.
Tem tanta pressa o
amor
Que não ouve a voz
dos cabelos
Deslisados de fadiga.
Tem tanta pressa o
amor
Que nada conhece e
nada vê
E nada sabe do amor.
ana paula lavado ©
(foto retirada da internet)
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
NÃO É ESTE SOSSEGO
Não é este sossego
Não é este sossego
que me adivinha
nem o magro sonho
que me eterniza.
Alcançarei o mundo
num invento
numa palavra
esdrúxula
qualquer
na tua boca
junto da minha boca
no teu anseio de me
quereres
mulher.
ana paula lavado ©
(foto retirada da internet)
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
OUSA CINGIR-ME O VENTRE
Ousa cingir-me o
ventre
Ousa cingir-me o
ventre
onde correm as
águas quentes
que trespassam a
raiz dos mares.
Tange a minha
cintura
na tua cintura
plasmando os anseios
do corpo
a cada mudança da
maré
como cristais no
fundo do oceano.
E, por fim,
despe-me
como a brancura da
neve fria
quando se aproxima
da chama.
Assim serei tua,
diz-me tu,
interminavelmente.
ana paula lavado ©
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
O TEMPO
O Tempo
O tempo é somente a
existência
Passada numa única intermitência
Entre o nascimento
e a morte.
O tempo é somente o
interlúdio
O espaço reservado
entre cenas
Com termo marcado na
inserção.
O tempo é somente a
entrepausa
O lugar que é entregue
em sorte
Existido meramente por
condição.
ana paula lavado ©
terça-feira, 6 de novembro de 2012
TU
Tu
Tenho
Apenas e só
Esta razão
Onde
O tudo
E o nada
São
Tu
És o todo
Do tudo
E o nada
É somente
Ilusão.
ana paula lavado ©
domingo, 4 de novembro de 2012
O QUE É O AMOR!
O que é o Amor!
Absorve-se o tempo
na ânsia do rumo
principal
onde te traduzo.
Nas nuvens, esboço
o teu rosto
e espero que a brisa
acalme
para que ele
perdure nos meus olhos.
E permaneces no
infinito
como as aves
clamando liberdade
no seu eterno divagar.
O que é o Amor
senão esta vontade
peregrina
de repousar no teu
peito,
este anseio imortal
que se derrama na
voz portentosa do meu ventre?
Não serei eu mais
do que te amo
porque o teu eterno,
é o que resta de mim.
ana paula lavado ©
AMEMO-NOS
Amemo-nos
Deixa o teu corpo
estender-se no meu corpo
porque nele trago a
doçura
que guardei durante
os anos.
E à sombra dos teus
gestos
desassossego as
palavras
ungindo calidamente
o meu sossego.
Amemo-nos, então,
porque não é
vergonha amar sem medo.
ana paula lavado ©
(foto retirada da internet)
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