terça-feira, 12 de junho de 2012

SUSPEITA DE MIM


( "O Pensador" de Rodin )



Suspeita de mim 

porque não penso 

porque não digo 

porque não tormento. 



Porque não sei 

e avidamente procuro 

e quanto mais procuro 

menos sei. 



Ó terra infecunda 

inóspita e hominizada 

que me esventras 

que me ignoras 

que me arrogas 

de cegueira, 



toma meu corpo 

toma meu espírito 

por parceira. 



E que eu morra 

ínfima aprendiza 

nesta ignorância. 



Antes a insciência 

que a arrogância. 



ana paula lavado © 







quarta-feira, 6 de junho de 2012

ENQUANTO TE ESPERO



Tudo é triste 

Enquanto te espero. 



À luz da noite 

Recordo um verso esquecido 

Que me traga à boca 

O sabor da tua sede. 



E quando a Lua já não tem voz 

Imerjo o corpo no oceano 

Desaguando ninficamente 

No calor dos teus braços. 



ana paula lavado ©





segunda-feira, 4 de junho de 2012

OS LÍRIOS



Tenho em mim a melhor coisa do mundo, 

o amor. 

E com ele não necessito 

ir mais além que a minha firmeza. 

Floresçam as pétalas 

das rosas plantadas no jardim 

e o seu perfume 

perpetue o sentimento. 

E os lírios 

- singelos de delicadeza- 

me deixem adormentar 

na tranquilidade do amor. 



ana paula lavado © 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

PENUMBRA





Perpetuo os olhos na imagem
que se transfigura cálida, incandescente
nas mãos que o meu corpo adivinha.


Sinto-o ao longo desta margem
como um rio que corre transparente
no ventre inclinado de uma colina.


E no último raio do poente
na penumbra que à noite se aumenta
descanso em fervilhar dormente
a intenção que a vontade sustenta.


ana paula lavado ©

terça-feira, 29 de maio de 2012

O TEU VERSO



Límpido e claro o teu verso
imerso no meu corpo desvalido
perpetua o silêncio.

Abraça-me apenas
e contorna os meus seios
como água de oceano.

E cada palavra do meu corpo
humedecerá a tua boca
enraizada no meu ventre.

ana paula lavado ©

sexta-feira, 25 de maio de 2012

DIA DE ÁFRICA - 25 DE MAIO



África Minha


Cheirei as picadas de poeira e sol quente
O odor do capim verde de Março
As cubatas barrentas da sua gente
Os sorrisos na face de qualquer abraço.


E amei sem pudor cada pedaço de chão
Matando o tempo que o tempo roubou.
Nada mais importa, nem mesmo a razão
Quando a alma pertence ao chão que a gerou.


Tive-te em meu corpo, África Minha
Trespassada na pele pelo sol ardente
Naquela paixão que só o amor adivinha
Naquele orgasmo que só o desejo consente.


ana paula lavado ©

quinta-feira, 24 de maio de 2012

APENAS TU


Sereia
Talvez!
Ancorada 
nas águas profundas
do oceano
entre cristais 
e solidão.

E tu,
apenas tu
tangendo em tuas mãos
meu corpo diáfano,
abrirás as amarras
que me doem no fundo do mar.

ana paula lavado

segunda-feira, 21 de maio de 2012

VENDAI-ME OS OLHOS




Deitei a terra ao chão 

nas raízes que o orvalho prolongou. 



E na sombra escura 

crescem álamos selvagens 

sedentos de justeza, 



mas a chuva sonâmbula 

seca prematuramente 

a hora tardia. 



Vendai-me os olhos 

que não verei a morte. 



ana paula lavado ©





quarta-feira, 9 de maio de 2012

MENTES PERVERSAS... E OUTRAS CONVERSAS NO PORTO



CONVITE


ANA PAULA LAVADO, HENRIQUE DO VALE E EDIUM EDITORES, TÊM A HONRA DE CONVIDAR V.EXA. PARA O LANÇAMENTO DO LIVRO MENTES PERVERSAS... E OUTRAS CONVERSAS, A REALIZAR NO DIA 12 DE MAIO DE 2012 ÀS 18 HORAS, NO PALACETE VISCONDES DE BALSEMÃO (PRAÇA CARLOS ALBERTO) NO PORTO.
A APRESENTAÇÃO DA OBRA E AUTORA ESTARÃO A CARGO DE FILOMENA MALVA.
MOMENTO MUSICAL PELA PIANISTA LUÍSA BARREIRA. 






segunda-feira, 16 de abril de 2012

DÁ-ME O TEU CORPO PARA NAVEGAR



Dá-me o teu corpo para navegar
nas sombras cálidas dum mar calmo
exaurindo a névoa da madrugada.

Só me resta incendiar-me
suplicando ao sol que sustenha o seu domínio
e não afogue as tardes em invernia.

Eis-me, crucificada e exausta
sobre este chão que me consome
extinguido em horas longínquas.

Pousa-me as letras que não compreendo
entre as mãos gastas de loucura
e legenda a minha combustão.

E transcreve-me o silêncio do espaço
nas sombras cálidas de um mar calmo
consumindo-me o corpo desejado.

ana paula lavado ©

segunda-feira, 9 de abril de 2012

ASSIM ME MORRO





Apenas os momentos, meu amor,
em que amanhecem os teus olhos
encostados aos meus olhos
e as margens nuas do meu corpo
despertam nas tuas mãos,

o teu nome respira no meu corpo
e a quietude da madrugada
soletra-me a cor dos navios
que regressam do mar.

Assim me morro
na vertigem embriagada da tua boca
procurando navegar serenamente!

ana paula lavado ©

quinta-feira, 5 de abril de 2012

VEM DEVAGAR



Vem devagar sobre meu leito
Entrega tuas mãos ao meu corpo
E desfolha-me lentamente
Numa doçura desdobrada.


Desliza entre o meu ventre
E navega entre pétalas cerradas
Onde o silêncio em vertigem 
Me faz em água dilacerada.


E no desejo anoitecido
Adurirei o beijo da tua boca
Na minha boca queimada!


ana paula lavado © 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

ÀS VEZES


Às vezes, passa-se e nada se diz
Às vezes, diz-se tudo sem se passar
Todas as vezes, silencio a tua saudade!

ana paula lavado  ©

sexta-feira, 23 de março de 2012

TERNURA






És tu, o rio que me trespassa
O mar que me volta em brandura
A vontade, o grito, o desejo
A razão desta intrépida loucura.

A vida multiplicada em minúcias
Os gestos reflectidos em candura
És tu, meu amor, que me tornas
No vício desta imensa ternura!

ana paula lavado ©


domingo, 18 de março de 2012

UM DIA VOU-TE DIZER

Um dia vou-te dizer
quantas palavras escrevi
quantos versos apaguei
quantas linhas estendi
quantas vezes te guardei.

Um dia vaguearei à sorte
sem direcção e sem Norte
sem vereda ou caminho.

Um dia vou-te dizer,
quando a sorte mo não impuser,
e se a vontade mo aprouver,
porque caminhei sem ti!

ana paula lavado ©