terça-feira, 24 de julho de 2012

INSTANTE




Instante

No instante em que me parto
e adormeço nos passos do chão,
sei que a verdade me perscruta
no silêncio da minha mão.
Como os laços, como as tranças
que em menina nunca usei,
pouso os cabelos na alma
do sossego com que te ousei.

E no mesmo instante me parto
na madrugada em que te frequento.
Pousa-me a sombra da tua calma
em cada instante, a cada momento.

ana paula lavado ©

 (foto retirada da internet)

sábado, 7 de julho de 2012

GOTA DE ORVALHO



Gota de Orvalho

Nasci do orvalho,
gota de água infecunda
transparente
insulada e só.

E só, me atrevo,
sem receitas de circunstância,
a masturbar as letras
fecundando-me em poema.

ana paula lavado ©



(foto retirada da internet)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

NAVEGAR-TE


Navegar-te

Navegar-te
é talvez o meu maior segredo.

Sublime inalação
que só o amor entende!

ana paula lavado ©

(foto retirada da internet)


quinta-feira, 28 de junho de 2012

ÁGUAS




Águas

Já esqueci a fome de todos os dias.
E em refinada loucura recomponho a lucidez
anarquizando o tempo que me subsiste.

Impossível dizer a que instante concebo as águas
ocultas na atmosfera estéril dum sonambulismo real.
Vão-se as horas de todos os tempos
marginalmente complexas e desajustadas
viajantes inúteis da eternidade alheia.

Recebo-te assim, em todas as horas
inclinando o véu à temperatura das águas
- porque as águas se querem límpidas e claras-
e mergulho na seiva que as ondas têm ao entardecer.

ana paula lavado ©

(foto retirada da internet)

terça-feira, 26 de junho de 2012

O NOSSO EU!




«Há uma questão incontornável - Em nós, mandamos nós.»

Atingir esse estádio, não é fácil. Aprendemos à nascença a sermos amparados e comandados, enquanto a absorção do que nos rodeia se vai tornando clara e realista. Crescer é quase um acto heróico, uma batalha em que temos que comandar o instinto, a vontade e os ensinamentos adquiridos. A vitória é alcançada no momento em que a nossa personalidade se vinca e podemos passar a ser donos do nosso Eu.

Será que nesse momento mandamos totalmente em nós?

O Homem é um animal de matilha. Não consegue viver isolado do clã que vai criando ao longo da vida. E mesmo sendo o chefe da matilha, as suas decisões e vontades estão sujeitas aos outros membros. Mesmo expressando a sua vontade, ela terá de ser maleável em função da vontade dos outros membros do grupo. E sendo dono de si, terá de ceder na sua vontade, para que haja consenso entre todas as partes.

Erradamente, cedemos em demasia. Alheamo-nos da nossa vontade e da nossa independência, em função do clã, que pensamos ser o ideal. Faz-se tudo em prol da matilha, para que ela cresça saudável e perfeita. A vida vai sendo delineada de acordo com as necessidades dos membros mais novos, e o objectivo é criar um mundo perfeito, à dimensão do nosso sonho. E sem nos apercebermos, vamos abdicando de nós em função da felicidade dos outros.

Estupidamente, deixamos que isso aconteça, pensando sempre no bem-estar da matilha, na sua protecção e na sua defesa. E quando o mundo se desmorona, urge juntar todos os pedaços, que mais não são, do que um ponto de partida para a sobrevivência.

Conseguir ter lucidez suficiente para nos apercebermos atempadamente, é quase uma segunda vitória. Conseguir inverter os factos é atingir a plenitude de si, e então passar a ser na realidade dono do seu EU.

A vida é uma sucessão de batalhas que todos os dias temos que enfrentar e lutar para vencer. Muitas se perdem, talvez por não se agir da forma correcta e no momento certo. Mas outras há, que se vencem com actos de heroicidade, o que faz com que metade do nosso Eu se sinta verdadeiramente orgulhoso.

Acomodamo-nos, mas nunca nos adaptamos. É impossível conviver com a hipocrisia, os falsos pudores, os falsos moralistas ou a falsas amizades. Tudo se põe à venda e tudo pode ser comprado ao maior ou menor preço. É inexequível conceber a mesquinhez e desdém com que se fala dos outros, sem a preocupação primeira de se olhar para dentro de si.

É possível que somente a loucura nos mantenha mentalmente sãos. A loucura de nos deixar levar pelo impulso, e não pelas «leis» da sociedade.

A única lei que vigorará terá de ser a da nossa consciência. E apenas assim se conquistará o ponto mais almejado do ser humano:

O NOSSO EU!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

OS PÁSSAROS DO SUL



Os Pássaros do Sul

Nas folhas densas do tempo
tangendo os vértices da loucura
naufraguei enlameadamente.

As palavras, quase lágrimas,
imersas na palidez da memória,
morriam nas árvores de ramos descalços,
tão nuas como o tempo.

Procurei-te para lá das nascentes
onde os versos aclaram na limpidez das águas
como se fosse a vez primeira.

E na vez primeira,
desnudei a bruma
no voo dos pássaros que revinham do sul.

ana paula lavado ©




(foto retirada da internet)


quarta-feira, 13 de junho de 2012

FALA-ME DE TI




Fala-me de ti 



Fala-me do silêncio. 

Daquele que silenciámos na boca 

na secreta obscuridade das palavras. 



Fala-me das nuvens. 

Daquelas que cingem os sonhos 

que lentamente cinzelamos. 



Fala-me das montanhas. 

Daquelas que crescem nos orvalhos 

que alimentam a nossa sede. 



Fala-me do mar. 

Daquele que imerge dentro do corpo 

e desagua na ânsia da existência. 



Fala-me de ti. 

Daquele que me surpreende a quietude 

e desabotoa a minha nudez. 





ana paula lavado ©


(foto retirada da internet)

terça-feira, 12 de junho de 2012

SUSPEITA DE MIM


( "O Pensador" de Rodin )



Suspeita de mim 

porque não penso 

porque não digo 

porque não tormento. 



Porque não sei 

e avidamente procuro 

e quanto mais procuro 

menos sei. 



Ó terra infecunda 

inóspita e hominizada 

que me esventras 

que me ignoras 

que me arrogas 

de cegueira, 



toma meu corpo 

toma meu espírito 

por parceira. 



E que eu morra 

ínfima aprendiza 

nesta ignorância. 



Antes a insciência 

que a arrogância. 



ana paula lavado © 







quarta-feira, 6 de junho de 2012

ENQUANTO TE ESPERO



Tudo é triste 

Enquanto te espero. 



À luz da noite 

Recordo um verso esquecido 

Que me traga à boca 

O sabor da tua sede. 



E quando a Lua já não tem voz 

Imerjo o corpo no oceano 

Desaguando ninficamente 

No calor dos teus braços. 



ana paula lavado ©





segunda-feira, 4 de junho de 2012

OS LÍRIOS



Tenho em mim a melhor coisa do mundo, 

o amor. 

E com ele não necessito 

ir mais além que a minha firmeza. 

Floresçam as pétalas 

das rosas plantadas no jardim 

e o seu perfume 

perpetue o sentimento. 

E os lírios 

- singelos de delicadeza- 

me deixem adormentar 

na tranquilidade do amor. 



ana paula lavado © 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

PENUMBRA





Perpetuo os olhos na imagem
que se transfigura cálida, incandescente
nas mãos que o meu corpo adivinha.


Sinto-o ao longo desta margem
como um rio que corre transparente
no ventre inclinado de uma colina.


E no último raio do poente
na penumbra que à noite se aumenta
descanso em fervilhar dormente
a intenção que a vontade sustenta.


ana paula lavado ©

terça-feira, 29 de maio de 2012

O TEU VERSO



Límpido e claro o teu verso
imerso no meu corpo desvalido
perpetua o silêncio.

Abraça-me apenas
e contorna os meus seios
como água de oceano.

E cada palavra do meu corpo
humedecerá a tua boca
enraizada no meu ventre.

ana paula lavado ©

sexta-feira, 25 de maio de 2012

DIA DE ÁFRICA - 25 DE MAIO



África Minha


Cheirei as picadas de poeira e sol quente
O odor do capim verde de Março
As cubatas barrentas da sua gente
Os sorrisos na face de qualquer abraço.


E amei sem pudor cada pedaço de chão
Matando o tempo que o tempo roubou.
Nada mais importa, nem mesmo a razão
Quando a alma pertence ao chão que a gerou.


Tive-te em meu corpo, África Minha
Trespassada na pele pelo sol ardente
Naquela paixão que só o amor adivinha
Naquele orgasmo que só o desejo consente.


ana paula lavado ©

quinta-feira, 24 de maio de 2012

APENAS TU


Sereia
Talvez!
Ancorada 
nas águas profundas
do oceano
entre cristais 
e solidão.

E tu,
apenas tu
tangendo em tuas mãos
meu corpo diáfano,
abrirás as amarras
que me doem no fundo do mar.

ana paula lavado

segunda-feira, 21 de maio de 2012

VENDAI-ME OS OLHOS




Deitei a terra ao chão 

nas raízes que o orvalho prolongou. 



E na sombra escura 

crescem álamos selvagens 

sedentos de justeza, 



mas a chuva sonâmbula 

seca prematuramente 

a hora tardia. 



Vendai-me os olhos 

que não verei a morte. 



ana paula lavado ©





quarta-feira, 9 de maio de 2012

MENTES PERVERSAS... E OUTRAS CONVERSAS NO PORTO



CONVITE


ANA PAULA LAVADO, HENRIQUE DO VALE E EDIUM EDITORES, TÊM A HONRA DE CONVIDAR V.EXA. PARA O LANÇAMENTO DO LIVRO MENTES PERVERSAS... E OUTRAS CONVERSAS, A REALIZAR NO DIA 12 DE MAIO DE 2012 ÀS 18 HORAS, NO PALACETE VISCONDES DE BALSEMÃO (PRAÇA CARLOS ALBERTO) NO PORTO.
A APRESENTAÇÃO DA OBRA E AUTORA ESTARÃO A CARGO DE FILOMENA MALVA.
MOMENTO MUSICAL PELA PIANISTA LUÍSA BARREIRA.