sexta-feira, 23 de maio de 2014
QUARTETO
Quarteto
Não há escuridão no mundo
que me afogue
Nem silêncios estéreis
que me encubram
Somente a vida
que me foi dada em graça
Faz dos nossos corpos
mares que se fecundam!
ana paula lavado ©
segunda-feira, 12 de maio de 2014
BOLOR
Bolor
Entre as portas, avizinha-se o cheiro
que as paredes descalçam,
e o sol continua bolorento.
Entra frio e humidade nas palavras
e os livros são sempre iguais aos de outrora.
Pouso os óculos em cima de um papel
de letras imperceptíveis e desfeitas
e faço uma metáfora de cinza e cal.
Vi-te passar na rua, e levavas os olhos tristes,
cansados, da poeira dos dias
e das notícias que te matam a alegria.
Ri um pouco, nem que seja por simpatia
para retirar o bolor das paredes.
Ah! Já há humidade entre as portas
e as palavras fazem cada vez menos sentido.
ana paula lavado ©
Fotografia - Francisco Navarro
terça-feira, 29 de abril de 2014
FALA-ME AGORA. NÃO DEPOIS!
Fala-me agora. Não
depois!
Fala-me da lucidez das coisas
Dos ventres que pariram as crenças mais terrenas
E dos sois que aclaram as palavras que não mentem.
Fala-me agora. Não depois!
Depois, até a dor se cansa das horas agoirentas
E a espera é sorrateira na demora.
Fala-me agora. Não depois!
Antes que mate os sonhos que não existem
No momento impreciso da concepção.
Chama-lhe o que quiseres
Desde que não te refugies na teimosia
E chames às coisas fruto da cegueira.
Fala-me agora. Não depois!
Depois, o tempo já é invernoso e triste
E as ideias tornam-se pouco claras à luz do dia.
As sombras reclamam rituais metafóricos
Na imanência redentora da morte.
Fala-me agora. Não depois!
ana paula lavado ©
Fotografia - Francisco Navarro
quinta-feira, 3 de abril de 2014
QUANDO AS ÁRVORES CRESCEREM VII
Quando as árvores
crescerem VII
Repetem-se palavras desde a infinitude
dos tempos, sem que se alterem pontuações
aos sentimentos. Os caminhos cruzam-se
em todas as profecias, sacrificando a vontade dos
deuses perante a abundância da vontade dos Homens.
Erguem-se altares de sacrifício na euforia
da sobrevivência, esbracejando a um qualquer deus
mortal, a ironia da imortalidade.
O espectáculo é surrealista e o palco, transformado
em turba, exibe uma profusão de progenitores da
ferocidade.
Não bastará o tempo para apagar os instintos
mais ancestrais, nem bastará a aparência para
ocultar o selvagismo. Os olhos esventrados na
imperfeição, prestam culto ao deserto das coisas.
Quando as árvores crescerem, talvez renasça a
esperança
do mundo, e a serpente volte ao Paraíso.
ana paula lavado ©
Fotografia - Francisco Navarro
quinta-feira, 6 de março de 2014
NÃO É PRECISO TEMPO PARA AMAR
Não é preciso tempo para amar
Todas as horas têm tempo
todo o tempo tem segundos
e todos os minutos profundos
têm sempre algo a dizer.
Talvez haja muito por fazer
talvez haja vida que não sei.
Sempre que por momentos parei
deixei a alma interrompida
provoquei sonolência à vida
desfalquei o prolongamento visceral.
Por favor, não levem a mal
não creiam que foi assunto premeditado.
Antes, erro de tempo impensado
por falta de completo discernimento.
Contudo sempre haverá tempo
de acrescentar minutos à existência.
De que serviria a coerência
se não houvesse tempo para viver?
Dos minutos que ainda possa ter
se a vida me der contentamento
vou amar, como se ama sem tempo
porque não é preciso tempo para amar.
ana paula lavado ©
Fotografia retirada da internet
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
VEM
Vem
vem, porque quero que a noite
seja o leito dos meus cansaços
vem, porque tremo na pele
o suor dos teus abraços
vem pela aurora, vem pela tarde
vem todas as horas que o corpo arde
vem pela noite, vem pela manhã
vem quando a espera já se espera vã
vem quando adormeço
vem quando amanheço
vem quando o sonho é um único começo
vem com o sol, vem com a lua
vem como se eu fosse a única tua
vem pelas ruas, vem pelas ruelas
vem pelas veredas mais estreitas das vielas
vem porque queres, vem porque quero
vem porque amas, vem porque espero!
ana paula lavado ©
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
OS PASSOS
Os passos
Onde encontrei os meus passos
sempre soube de onde vim,
de onde partiam os navios
do outro lado do mar.
Onde encontro os teus passos
sempre sei para onde vou,
aonde aportam os navios
deste lado do mar!
ana paula lavado ©
Fotografia - Francisco Navarro
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
DIZ-ME EM QUANTAS NOITES
Diz-me em quantas
noites
Diz-me em quantas noites, antes da aurora
dentro dos teus braços rodando os meus
como se o tempo não tivesse outrora
desnudei meus versos junto dos teus.
Cingindo o meu corpo ao teu corpo inteiro
partindo para o mar, como partem os navios
deixo nas tuas mãos todo o meu seio
deixo no teu corpo os meus desvarios.
Porque sei assim que o amor que tento
mesmo quando chega a hora de partir
posso entregar o meu corpo ao vento
para te envolver na hora de dormir.
ana paula lavado ©
Fotografia - Francisco Navarro
PARA TE TER
Para te ter
Para te ter
daria ao mundo todos os meus sentidos.
Só há um sentido no mundo
e o teu mundo é o meu princípio!
ana paula lavado ©
Fotografia - Francisco Navarro
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
QUANDO A NOITE SE APROXIMA
Quando a noite se
aproxima
Quando a noite se aproxima
escureço as palavras
e beijo-as, como estrelas no infinito.
As palavras são mais tristes
à noite. São mais dolentes
nos olhos pesarosos de luz.
Dá-me os teus braços
para que neles escreva os versos
que a noite me oculta.
Isso será tudo. O meu olhar
procurará na tua pele
os seios das palavras
e elas iluminar-se-ão nos dedos.
Deles nascerão os versos
que te escreverei, meu amor!
ana paula lavado ©
Fotografia - Francisco Navarro
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
terça-feira, 5 de novembro de 2013
NÃO ME ATREVO
Não me atrevo
Não me atrevo a
escrever
- se me atrevesse,
tu saberias -
para dizer como
sinto o “amor”.
As águas
levar-te-ão as letras
- as mesmas que compõem
“o mar”-
nos enigmas da maré
preia.
Quando as tiveres
nos olhos
- que elas
querem-se invisíveis aos olhares -
ter-me-ás plena,
lasciva, sereia!
ana paula lavado
©
(Foto retirada da internet)
terça-feira, 22 de outubro de 2013
FUI COM O MAR OUTRA VEZ
Fui com o mar outra vez
Entre a porta
entreaberta o mar galgou
o soalho e as
estantes.
Deixei de ver os
livros por instantes,
e as luzes do dia
morreram.
Não digo se sofri,
mas sei que os
livros sofreram
com as letras
diluídas de sentido.
Ah, se as tivesse
podido
recompor em papel
milimétrico,
reconstruir o seu
ar estético,
devolver a existência
do seu ser.
Não sei se é
possível fazer,
nem sei se já
alguém o fez.
Sei que o mar
galgou o soalho e as estantes
e, como já fizera antes,
fui com o mar outra
vez!
ana paula lavado
©
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
DE TODOS OS MARES
De todos os mares
De todos os mares
O meu é o mais belo
O mais azul
O mais singelo
De todos os mares
O mais belo.
Do seu vigor
Da sua espuma
Acácias e sumaúma
Da sua voz
Do seu tenor
Do seu rigor.
De todos os mares
O meu é o mais
belo!
ana paula lavado
©
terça-feira, 1 de outubro de 2013
AMA-ME PELOS MEUS OLHOS
Ama-me pelos meus olhos
Quando a lua se
enfeitiça
E o meu corpo se
insinua
Nas noites de
momentos escassos,
Quando as mãos
guardam sem pejo
O gozo crispado do
desejo
Estremecido nos
teus braços,
Ama-me pelos meus
olhos, somente
Que no olhar guardo
constantemente
A nudez astral dos
teus passos!
ana paula lavado
©
Subscrever:
Mensagens (Atom)
















